Sobre amores e envelopes

“Desde que me entendo por gente, escrevo. Não me recordo quando aprendi, não me recordo como ou porquê comecei. Apenas escrevo. Minha imaginação sempre foi ótima, até um pouco ativa demais, por assim dizer. Já escrevi histórias, crônicas, contos, letras de música e até me arrisquei em poemas… Os tipos variavam, o assunto mudava, mas o cérebro, nem tanto. Digo que comecei a escrever para afastar as ‘vozes’ que surgem para mim. Calar pensamentos muito altos. Motivos, tenho infinitos.

Quase sempre, não escrevo especificamente para alguém, a não ser a mim mesma. Algumas vezes, alguém se identifica e comenta, e quando são histórias, peço vez ou outra a opinião de algum amigo disponível no momento. Apenas tenho isso sabe? De querer escrever a maior parte do meu tempo, de precisar fazer isso, é como oxigênio para mim. Cada um tem seu modo de fugir do mundo, mas no meu caso, não fujo, me mantenho nele. Percorro frases e tento tirar os ‘barulhos’ dentro de mim que modificam minha harmonia. Às vezes, são textos sem conexão para muitos, às vezes, nem eu sei o que irá surgir…”

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Modo Automático

“(…) Daí você está numa conversa descontraída e é atingida pelo baque de uma notícia péssima… Flashbacks de um ano inteiro invadem sua cabeça em um pequeno instante de segundos, todos referentes àquela mesma notícia. Se diferenciando apenas no ponto que aquelas outras pessoas, um dia, as conheci… E essa de agora não. ‘Faz diferença?‘ me perguntam no silêncio, e digo que não. E a foto vem, as lágrimas também… É possível chorar por alguém que nunca nem chegou a conhecer?!

Bom, é possível chorar por personagens fictícios, porquê não?! Não costumo chorar, àqueles que me conhecem sabem muito bem. Secam minhas lágrimas e por um instante, tudo se vai… Não há mais sons e parece que não estou mais aqui. ‘Ela está bem, diga à ele.‘ E do mesmo jeito que tudo se foi, tudo volta… Estou novamente na frente do meu computador, olhando para uma tela escura. Olho a foto que recebei e sei exatamente onde ela está… Lembro-me dos outros que vieram antes, os que conheci, e se foram.”

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O Limbo

“Deitado naquela cama que já deitou tantas vezes, ele parece preso num limbo, entre o presente e o passado, ou talvez, o contrário. É um tanto difícil de analisar no momento. Da mini caixa de som sai uma música discreta e suave, da janela se ouve o som dos carros e do mar… Não há silêncio, nem mesmo em sua mente. Tenta relaxar, logo, logo, o remédio fará efeito, e conseguirá dormir um sono sem sonhos, tranquilo… Não quer sonhos no momento, ultimamente eles tendem a acordá-lo na madrugada. Às vezes confuso, às vezes assustado, às vezes, quase sempre, perdido.

Sonhos que um dia se transformaram em escritos em um caderno velho, agora, ele os evita… Em sua mente não mais estável, eles andam ganhando formas. Ele os evita. Quase anseia por noites com sonos escuros e com acumulo de cores. Deita a cabeça no travesseiro quase “orando” por isso, se ele acreditasse que “orar” resolveria a questão, garanto que faria isso. Ultimamente, ele não lembra do que sonha, por vezes se sente aliviado, por vezes, triste. Sente-se nesse limbo… Sente como se perdesse uma parte de si. Sente como se não fosse ele mesmo…

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A Torre de Marfim

Há um tempo atrás, imaginava-se livre ao mesmo tempo que preso em uma torre de marfim. Através de sua única janela, admirava as cores e possibilidades que não tinha coragem de ir atrás. Solitário, mesmo com pessoas ao seu redor. Encontrou uma paz silenciosa dentro de si mesmo, vestiu-se com máscaras que o protegiam do mundo lá fora. Sentia-se um prisioneiro e fez daquela sensação sua companhia constante. Sonhava com o dia que pularia daquele janela, estirando as asas contra o vento em direção ao horizonte que sumia de encontro ao mar; ou talvez, atingisse as águas quentes e desaparecesse na escuridão de tons verdes e azul. Aqueles tons que se mesclavam, lhe traziam esperança, medo e desejo.
E no final, nada além de um sonho…

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